Conheci o veludo branco da neve,
Sem nunca visitar o gelado dos polos.
Conheci a escuridão magnética,
Sem nunca me lançar ao cosmos.
Conheci o brilho de sóis anelados,
Sem nunca os encarar de frente.
Conheci estrelas negras em mares claros,
Sem nunca as ouvir existentes.
Conheci ondas ressonantes,
Ao te ver sorrir.
Conheci a solidão dos vales,
Ao te deixar partir.
Conheci a saudade que o inverno tem do verão,
Ao te ver ir embora.
Conheci a calmaria de um vulcão,
Ao beijar-te agora.
Nem em aventura ou viagem,
Sonho, delirante paisagem.
Nem o borboleteio dessa existência,
Me faria absorver tal essência.
De rotação em rotação, venho a descobrir
O que há dentro de ti.
A cada vez que vens me mostrar,
Como és belo, ó anjo do mar.
Experienciei o desconhecido.
Intocável aos pés, tão presente aos sentidos.
Percebi a amabilidade de sorrisos luniformes,
O interior de camuflados uniformes.
Sua alma branca cintila em lençóis frenéticos,
Sob tal molde perfeito, litosférico.
Então pude enxergar,
O brilho que vem de você, ó anjo do mar.
Agora quero que ancore aqui e me deixe conhecer,
O resto do mundo através de você.
Pois é maldade demais
Me deixar descobrir sozinha, ser incapaz.
Se naufragarmos, te eternizei
Dentre essas letras, testemunhará que tentei.
Por teus traços me deixou encantar,
Agora terás de ficar.
Não me abandone, ó anjo do mar.
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