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terça-feira, 20 de junho de 2017

Ciúmes

Descuidado. Desesperado. Frio. Sincero. Cheio de sentimento. Aliviante.
Naquela manhã
Ainda com os lábios tremendo, a mente confusa e o coração machucado
Ela descobriu que escreve
Sua primeira tentativa foi inspirada da pior forma possível
O que a fez descobrir
O que a fez vomitar palavras
Num desejo desesperado de se livrar do que habitava lá dentro
Não foram momentos bons, lembranças macias e sorrisos de suspirar
Foram decepções, raiva e ciúmes
Foi sua mente traidora que a deixou assim
E ela finalmente percebeu
Que é melhor traduzir seus sentimentos e angustias em poemas
Do que os deixar destruir tudo que ainda tem de bom lá dentro
Ela se acha incapaz de repetir a dose se não for pela dor
O belo não inspira da mesma forma
São as vísceras reviradas e as feridas sangrentas que a faz colocar pra fora tudo que estava ali a muito
E foi o que ela fez naquela manhã
Não brigou. Não chorou. Não reclamou. Dessa vez ele foi domado. Ele não tomou conta dela.
Ele foi transformado em letras.
Sentimentos eternizados. Precisavam sair.
Depois da longa noite de agonia
Veio a inspiração
A dor fortalece
O belo a trai, a amolece, a fragiliza
Então obrigada anjo do mar
Por fazer dela cada dia mais forte
E claro, por ter ajudado ela a transformar metal pesado em pétalas macias
Porque se você não a engravidasse com decepções
Ela jamais teria descoberto a capacidade de parir poemas
Até a próxima decepção

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