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terça-feira, 20 de junho de 2017

Preciso te contar sobre aquela noite

Não sei como te explicar o que aconteceu
Eu simplesmente pirei e não foi sua culpa
Você. Ser Livre. Eu. Ciúme egoísta.
Os olhos não fechavam
Os pensamentos me perturbavam
A incerteza me domina e me controla a ponto que segura minha respiração, acelera as batidas e treme meus lábios
O desespero tomou conta
Os pensamentos que correram pela casa trancaram a paz do lado de fora
A confiança foi banida e a esperança retirada a força
Desculpe-me não saber lidar com meus pensamentos sensíveis
Densas nuvens negras que me invadem e raptam sua imagem real do meu pensamento a substituindo por aquele antigo inquilino de sempre
Por mais que, na real, você não tenha feito nada além de exercer sua liberdade
Liberdade essa que eu concedi, que eu fiz questão que tivesse
Porém, quando te liberto, me privo
Me privo de paz
Já que meu espírito apaixonado e seu respectivo impulso de querer te amarrar aos meus pés,
Faz-se incoerente quando faço questão de minhas asas pra voar
E então meu bem, vejo-me como um enigma sem solução, um clamor sem resposta
De modo que o único jeito é me curar
E isso não vem de forma espontânea e fugaz
Como você chegou
Até aqui
Então, me ajude a limpar a bagunça
Ou abandone o barco
Porque não vejo mais a linha limite entre o que é bom e me faz bem e o que sufoca
E a saudade que, ao enterrar o sol, vence a sanidade
Quando a madrugada chega, o desespero vem também
E o medo vem, a agonia vem, e até a paranoica distorção da realidade vem
Seu eu preciso te possuir, te limitar, e te controlar pra não surtar cada vez que penso em te perder
É melhor não te ter
Pois esse amor que sufoca não é saudável, aceitável ou belo
É apenas o manifesto da minha alma desconfiada insegura e fria
Que precisa de uma contínua confirmação de segurança para continuar a tentar
Pois a raiva já morou aqui, as decepções já moraram aqui, o coração partido morava de aluguel até ontem e o medo recusou a ordem de despejo
Se tiver coragem, disposição e vontade de permanecer
Terá que varrer a casa, tirar o pó e concertar as janelas que se recusam a abrir
Mas antes de tudo, terá que lidar com os surtos, os medos, a possessão, para que no fim, possa conhecer a verdadeira beleza interiorana que eu inconscientemente faço questão de esconder

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